Em tempos muito recuados, um homem foi morto na freguesia. As pessoas andavam inquietas, até que prenderam um jovem suspeito do crime. Apesar das suas insistentes declarações de inocência, o juiz condenou-o à morte por enforcamento.

No dia imediato, o carpinteiro da aldeia ergueu uma forca, numa colina próxima, aproveitando um grande álamo para o efeito. A partir daí, esse lugar, que fica perto do ““Casarão da Torre”” passou a chamar-se o “”Barroco da Forca“”.

No dia marcado para a execução, a população da aldeia acompanhou o pobre condenado até ao local da execução. Ao lado, com a cara tapada por um comprido capuz, seguia o carrasco.

O pobre moço, em vão protestava a sua inocência, mas ninguém acreditava nele.

Quando o cortejo estava a chegar perto do álamo, ouviu-se uma voz que proclamava a inocência do infeliz rapaz. As pessoas pararam estupefactas, olhando à volta, procurando adivinhar quem tinha falado. De novo se ouviu a voz, agora mais nítida, a inocentar o injustiçado. Foi então, que toda a gente se apercebeu que era a árvore que falava. O carrasco, adiantando-se um pouco, virou-se para o olmo e disse em voz alta:

– Álamo, fala!

Com evidente clareza, uma voz saiu do tronco da árvore, denunciando o verdadeiro culpado e salvando o pobre inocente de uma morte injusta. Dizem que da expressão “”Álamo, fala”” terá nascido o nome de Almofala.