Um pastor, que apascentava o rebanho nas fragas da Serra da Marofa, andava intrigado com um sonho que, há várias noites se repetia: um vulto misterioso dizia-lhe que, se fosse a Belém, encontraria o seu bem.

Tanto cismou, que um dia resolveu meter-se a caminho. Chegando a Belém, sedento e estafado pela longa caminhada, sentou-se à beira de uma fonte. Ali permaneceu durante bastante tempo, a pensar no que haveria de fazer, quando surgiu um desconhecido. Depois de ter bebido um pouco de água, perguntou ao pastor o que fazia naquele local, pois era desconhecido na cidade.

Este, com um pouco de receio, contou o estranho sonho que o inquietava. O companheiro respondeu-lhe:

– É estranho! Eu sonhei que se fosse ao Colmeal das Rolas encontraria um chibo deitado sobre uma pedra e, debaixo dela, estava uma cabra e um cabritinho de ouro. À noite, as barbas do chibo transformavam-se em ouro.

Despediram-se e o pastor, depois de ter descansado mais um bocado e pensando naquilo que o estranho lhe dissera, resolveu regressar à sua terra e ir ao Colmeal verificar se era verdade o que o outro lhe tinha contado.

Quando chegou, dirigiu-se de imediato para o local e qual não foi o seu espanto ao ver um chibo deitado em cima de uma pedra. Afastou o animal e retirou a pedra. Lá estava a cabra e o cabritinho de ouro que o homem de Belém lhe tinha desvendado.

Homem honrado, não queria nada que não fosse dele. Assim, resolveu entregar o achado ao rei. Foi a custo que sua majestade o recebeu, perguntando-lhe o que levava ali.

– Meu senhor, queria oferecer-vos um presente – respondeu o pastor. Encontrei uma cabra e um cabrito.

O rei ficou admirado com a resposta do homem e resolveu escolher o cabrito, pois sempre seria mais tenro para comer. Ao ver que o presente era um objecto de ouro, e não de carne, como pensara, disse ao pastor:

– Palavra de rei não volta atrás, mas gostava que me desses um chifre da cabra para fazer a bengala.

Ao verificar que o pastor não hesitava em lhe fazer o pedido, o rei disse-lhe que, também ele tinha o direito de pedir alguma coisa. O honrado homem, que não contava com semelhante atitude, pediu que lhe dessem um pouco de terra para poder trabalhar.

– Será satisfeito o teu pedido – respondeu-lhe o rei. Quando chegares à tua terra, unge uma junta de bois e do nascer ao pôr-do-sol, todo o terreno que fores capaz de marcar com um arado será teu.

O homem não se poupou a esforços, arando o terreno sem descansar, só parando quando o sol se escondeu atrás do cume mais alto da Serra da Marofa. Assim nasceu a Quinta do Colmeal.