Conta a história que, entre os anos de 235 e 313, vivia um pagão riquíssimo, de nome Dióscoro, que tinha uma filha muito bonita, chamada Bárbara. Para a livrar dos pretendentes que assiduamente lhe batiam à porta a pedir-lhe a mão da jovem, encerrou-a numa torre. Estava previsto que o improvisado cárcere tivesse duas janelas, mas Bárbara exigiu que fosse acrescentada mais uma. Ela tinha abraçado secretamente a religião cristã e, assim, no conjunto das janelas podia honrar a Santíssima Trindade, sem o pai desconfiar.

Um dia, Dióscoro saiu em viagem de negócios e a filha aproveitou para se baptizar. Quando regressou, ficou furioso por a jovem ter desprezado os deuses que adorava. Ao descobrir que o pai a queria matar, Bárbara fugiu e um pedregulho abriu-se para a esconder dos perseguidores.

Após porfiadas buscas, Dióscoro descobriu o esconderijo da filha e levou-a à presença do juiz. Presa no castelo e sujeita a suplícios atrozes, foi confortada por Jesus que lhe mandou uma mulher, de nome Juliana, com um vestido para usar.

Condenada à morte, foi o próprio pai que se encarregou de executar a sentença, cortando a cabeça de Bárbara. Juliana foi presa e morta pelos soldados.

Como castigo das maldades e da intransigência com que tratou a filha, o pai cruel foi reduzido a pó por um raio. Santa Bárbara ficou com o atributo de preservar os devotos da morte repentina.

De acordo com os Livros de Horas, era usual a seguinte oração: ““Fazei Senhor que, por intercessão de Santa Bárbara, obtenhamos receber, antes da morte, o sacramento do corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo“”.

A imagem da Santa é representada juntamente com a torre onde viveu. Supõe-se que o poder que tem sobre os raios e tempestades lhe foi atribuído por Deus, no momento em que, pouco depois da sua morte, dois raios fatais desfizeram Diáscoro, o pai tirano que matou a filha pelas próprias mãos, e o cruel Marciano que lhe infligiu as cruéis torturas, enquanto esteve presa.