Há muitos séculos atrás, quando os discípulos de Jesus vieram para a Península Ibérica difundir o cristianismo, uma nobre família romana vivia calmamente, na doce paz que a elevada condição social lhe concedia. Porém, um dia, a senhora, já de certa idade, começou a sentir-se invadida por grande aflição. Tinha engravidado. Do parto nasceram nove pequeninas gémeas.

A mãe, não olhando a meios e sem escrúpulos de consciência, apenas preocupada com o que as amigas iriam comentar, mandou chamar uma escrava, que lhe servia de ama, e ordenou-lhe que levasse as meninas para casa e as matasse.

A pobre mulher, que já se tinha convertido ao cristianismo, ficou inquieta com a ordem e não descansou enquanto não falou com o sacerdote. Este, apreensivo, dirigiu-se para um convento e pediu à Abadessa que acolhesse as pobres e inocentes meninas, condenadas à morte.

O tempo passou e as crianças cresceram, sendo educadas nos princípios da religião cristã.

Entretanto, o governador romano foi substituído por outro que, a exemplo do imperador, moveu feroz perseguição aos cristãos, espalhando o terror entre eles, obrigando-os a procurarem na fuga a salvação das suas vidas.

As freiras, avisadas do que se estava a passar e temendo o comportamento dos soldados romanos, refugiaram-se noutra região. As meninas esconderam-se em casa de um pobre que as acolheu. Surpreendido com a fina educação das crianças, sentiu compaixão por elas e, tentando livrá-las da cruel perseguição, tentou convencê-las a renegarem a fé, para salvarem a vida.

Vendo que os seus esforços eram infrutíferos, perguntou-lhes quem eram e de onde vinham. As pobres meninas contaram-lhe a triste história, revelando-lhe que eram suas filhas, há muito desaparecidas. O pobre pai ficou enternecido e a mãe, arrependida do ato cruel, pediu-lhes perdão.

Parecia que a felicidade tinha voltado ao seio daquela família, mas o pai, passados os primeiros momentos da emoção, não desistia de as converter a renegarem a fé. Irado por as ver tão determinadas em contrariarem as suas intenções e teimarem em seguir a doutrina de Jesus, mandou-as matar. Santa Marinha foi degolada e lançada ao rio.

Alguns dias depois, apareceu, perto de Braga, num rio a que puseram o nome de “”Águas Santas“”, o corpo intacto da jovem mártir. A igreja concedeu-lhe a palma do Martírio, que ostenta na mão esquerda, como símbolo de heroicidade e perseverança na fé.